sexta-feira, 5 de novembro de 2010


E hoje ela sabe que eles morreram juntos

De mão dadas, deitados lado a lado

Sentindo o cheiro e o toque da pele um do outro

Juntos fisicamente, com o pensamento distante dali

Ninguém jamais foi capaz feri-los como ela.


Cada um com seu frasco de veneno

Como uma cena ensaiada, abriram o frasco

Encostaram no confortável travesseiro do hotel

Tomaram o líquido amargo sem deixar uma gota

Como quem não quer deixar rastros

E escorregaram de olhos fechados

Cada um vendo tudo o que fez

Remoendo aquilo que queriam ter sido

e não conseguiram.


Sorrindo, a viram pela última vez e não acordaram mais.

No chão, o frascos largados

No criado - mudo ao lado da cama

um envelope com o nome dela.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Aly Muritiba: Cinema é coisa de angustiado

Fazer cinema independente e sem dinheiro é um exercício angustiante. Apesar de ter um estômago de avestruz prevejo uma morte lenta e dolorosa para mim em decorrência de complicações gástricas. Isso porque o amor que devoto ao cinema é daqueles românticos, daqueles que só podem acabar em tragédia. Exagero? Vejamos então.

Angustia número 1: Antes de se fazer um filme, o pretenso cineasta passa pela angústia de não estar fazendo nada a não ser olhar uma folha em branco. São dias e dias lapidando um roteiro, que depois de pronto e julgado brilhante pelo seu autor, será submetido ao crivo dos possíveis colaboradores (amigos). Neste momento começa a

Angústia número 2: As pessoas recebem o texto, dizem que vão ler e a isso se sucedem semanas de angustiante silêncio. Pensa-se, “eles odiaram, eu sou um escritorzinho de m.” etc. Até que se encontra os tais colaboradores bebendo num boteco e descobre-se que o roteiro não foi lido porque -xi, meu PC queimou, manda outra vez. Ou -recebi, mas não abriu, manda num outro formato…e por ai vai. Passada esta etapa, que é a de convencer as pessoas a trabalharem de graça no teu projeto, começa a fase da

Angústia número 3: Fazer com que os colaboradores (amigos), que trabalham de graça no teu projeto, convençam outras pessoas (desconhecidos) a também trabalhar de graça. A esta etapa chama-se comumente de Pré-produção. Eu prefiro chamar de fase da angústia número 3. É a etapa em que pessoas bem vestidas experimentam a sensação da mendicância. Pede-se tudo, oferece-se quase nada, e a probabilidade de receber nãos é tão grande, que é recomendável pedir apoio de alguma farmácia para o fornecimento de paracetamol, gastrox e afins. São semanas e semanas de reuniões, planejamentos, cafés, sorrisos, testes, persuasão, caça a atores experientes o suficiente para o papel dispostos a trabalhar “-por amor a arte Sabe como é? “. E eis que chega o grande dia, quer dizer, semana.

Angústia número 4: O primeiro dia de gravação é sempre o pior (pelo menos pra mim). Parece que tudo vai dar errado. Planeja-se uma externa, o céu ameaça chuva. Planeja-se uma interna, o refletor queima. Até a maquilagem que aquela tua colaboradora (amiga, amante, mulher, irmã… avó?) ficou de emprestar, é esquecida. Ai é que o verdadeiro diretor é posto à prova. Se der “piti” e adiar as filmagens por causa da maquilagem (entendam metaforicamente), sem futuro…, a equipe o abandona. Se não der “piti”, sem futuro muito longo, morrerá de gastrite. Os bons diretores têm gastrite. Kielowsky, Kurosawua, Glauber, Buñel, Ozu e tantos outros tiveram. Eu e alguns colegas nos entupimos de café na esperança de adquirir uma e entrar pro panteão. Mas continuando… adapta-se, muda-se os planos, as ordens do dia, as decupagens (pra que fazer pré?) e as gravações terminam, e começando a

Angústia número 5: Esta fase é de matar. Neste momento descobrem-se os planos não filmados, os erros de continuidade, a falta de ritmo, etc. E o roteiro que foi escrito com tanto esmero é reescrito por um cara estranho chamado editor (o cara que faz o que pode e o que não pode para o filme não parecer um exercício de doidos). E o som? Sabe quantas horas se passa num estúdio improvisado mixando o som de um filme (e olha que eu nunca fiz um longa)? Ai o diretor tem que decidir entre 198 opções qual é o rangido de porta perfeito para a cena em que a mocinha sai do banheiro. Ai o diretor decide se o estampido do revólver deve ser mais grave, agudo ou médio se é do ponto de audição da vitima, do algoz ou da platéia…. aff!!!! E o tratamento de imagem? Já abriram um programinha chamado After efects? Não abram sem alguém experiente por perto. Ai você descobre que aquela cena que teu diretor de fotografia disse -resolve na pós., não tem solução. Enfim, uma angústia só e que pode levar meses ou, em alguns casos, anos. E eis que o filme fica pronto.

Angústia número 6: A estréia. Fase em que o cineasta tira a roupa para um monte de gente que não faz a mínima idéia (e nem deveria mesmo fazer) das etapas anteriores. Fase em que o cineasta será julgado sumariamente por pessoas que estavam tocando suas vidas nos últimos seis meses, enquanto o cineasta sofria com suas angústias. O olhar do público, o aplauso final, o tapinha no ombro (será consolo?). O alívio. Enfim o filme está concluído. O alívio. Alívio?

Angústia número 7: Assim que termina a exibição do filme o pretenso cineasta passa pela angústia de não estar fazendo nada novamente. Ele olha então uma folha em branco e

Angustia número 1:
Alguma semelhança com a vida a dois?
Entende agora o motivo pelo qual eu amo me angustiar de cinema…. e de amor?

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Aproveitando para apresentar meus filhos...


NOUVELLE VAGUE FRANCESA ( DIREÇÃO : TALI MIRANDA. PRODUÇÃO: LÍGIA BARONE)

http://www.youtube.com/watch?v=M3yq7BeVzAs&feature=fvw


REMAKE VOLVER ( DIREÇÃO: TALI MIRANDA . PRODUÇÃO : LÍGIA BARONE)

http://www.youtube.com/watch?v=eE3du_3UjpQ&feature=related


quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Por que não?

Estava parada em um dos sinaleiros de Curitiba, voltando para a casa quando tudo aconteceu.
Como é de costume na cidade fazia muito frio e chovia, mas aquela noite estava especialmente gelada e todos vestiam gorros, cachecóis, luvas e casacos para se esquentarem ou amenizarem a baixa temperatura. Menos aquela pessoa que estava na esquina se assegurando que podia atravessar.
Enquanto esperava o sinal verde prestei a atenção nela que vestia apenas um tênis, calça de moletom vermelha, casaquinho azul também de moletom e uma bolsa de pano a tira colo. Suas roupas meio surradas davam a impressão de velhas e nem de longe eram o suficiente para tanto frio.
Quando estava na metade da faixa de pedestres olhou para o lado e veio em minha direção sorrindo, como quem pedisse um minuto da minha atenção, e enquanto se aproximava estendeu a mão dizendo que não era ladrão.
Então confirmei minhas suspeitas de que apesar dos trajes e do cabelo não se tratava de uma mulher, mas sim de um gay com trejeitos, traços muito fortes, com uma aparência sofrida e pobre.
Eu estava com uma fresta da janela aberta para a fumaça do cigarro dispersar, olhei para o lado e ele estava ali.

- Desculpa, eu não sou ladrão - reforçou talvez para que eu não me sentisse ameaçada - eu só gostaria de pedir, se você tiver, um e dez para completar a passagem do ônibus.
Mesmo achando que não tinha moedas por perto para ajudá-lo procurei no console, enquanto isso ele me olhava atentamente e observou:

- Que lindo cabelo.

Sorri agradecendo o elogio e lhe disse que tinha apenas quinze centavos para colaborar.
O ar quente que estava ligado dentro do carro chegou até ele e sentindo muito frio ao ponto de tremer disse:

- Tá quentinho aí dentro... que delícia.
Senti um pouco de pena dele e lhe entreguei as moedas. Ao pegá-las ele agradeceu:

- Agora só falta noventa e cinco centavos ... cada um tem o que merece, e você com certeza deve merecer " tá aí" no carro. Disse como se ele mesmo já estivesse convencido de que não era merecedor.

Aquela situação não sei exatamente por qual motivo me comoveu. Por que ele também não merecia? A situação para ele realmente não era boa eu sei, mas quem disse que isso era uma justificativa ? Talvez as condições em que ele nasceu, viveu e ainda viva não o levem a crer que pode alcançar o que deseja. Então tentando consolar e tornar aquele momento menos triste e constrangedor respondi :

- Você também merece...é só acreditar que um dia acontece.

Com um olhar emocionado de quem jamais esperou ouvir aquilo de uma estranha agradeceu com a voz embargada, e eu reforcei a idéia.

O sinaleiro abriu e fomos embora cada um para o seu lado.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

A vingança das celulites.



Para toda mulher que tem um melhor amigo gay existem mil vantagens em tê-lo, é ele que fica horas com você vendo Sex And The City, que comenta sua roupa na balada, faz as melhores observações sobre outras mulheres, flerta no trânsito dentre muitas qualidades de uma amizade assim.

Antonio e Clarice se conheciam há três anos, logo já sabiam todos os “ bafos de bofes” da vida de cada um, e assim durante um bom dia pelo msn as duas horas da tarde:


Antonio says: to pra te mandar uma foto há dias...

Clarice says: me manda!


O link aparece na tela, carrega a imagem, quando o arquivo é salvo Clarice abre sem saber do que se tratava. A foto da atual namorada do seu ex está ali enorme no seu computador deixando a boquiaberta sem conseguir esboçar qualquer outra reação. Seus olhos não podiam acreditar no que estavam vendo.

Quando conseguiu reagir Clarice foi perguntar se realmente era quem ela pensava, e com o ar irônico que só melhores amigos gays podem usar ele disse: “ Siiim”


Fora o contexto patético da foto, o que a chocava talvez não causasse tanto espanto se fosse em outra mulher, mas a atual de Jorge já havia participado de um reality-show dentre outros programas de TV sem todas aquelas horrorosas e assustadoras celulites que nenhum truque de câmera esconderia.


Claro que toda mulher tem celulite, umas mais outras menos, mas aquela quantidade era inacreditável e deixou Clarice atordoada por horas. Como alguém que tem como se cuidar tem e convive com o pior inimigo de uma mulher? Será que ela tem tanta auto estima que não enxerga, ou ao contrário ela não tem nenhuma?


Passado o choque e muitas reflexões Clarice teve seu momento “ egocentrismo feminino com doce sabor de vingança” , sua história com Jorge foi um drama digno de um filme daqueles que devemos ver inspirados para o sofrimento, agora ela estava refeita e bem resolvida e em um ótimo relacionamento há 3 anos, e claro usando lindas roupas justas sem celulites.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

VINTE E POUCOS ANOS

O inverno curitibano apenas começava quando os primeiros móveis chegaram: um sofá, o hack da TV, dois puffs e a televisão. Mais tarde chegaria a cama e as coisas da cozinha, mas por enquanto tudo estava encaixotado e apenas o essencial estava disponível.
Era o suficiente para duas jovens garotas de vinte anos que estava saindo de casa para morarem juntas. O sonho de muitos adolescentes, morar junto com a/o melhor amiga (o), realizado e comemorado na nova sala ao som de músicas animadas, frases da MPB, vinho e cigarros.
Em 9 meses tudo aconteceu e ficou para sempre naquele apartamento, amores foram desfeitos, outros definitivamente resolvidos, alguns relembrados e claro, tiveram aqueles que começaram lá.
Tínhamos a plena sensação de sermos donas das nossas vidas, de termos a liberdade que sempre desejamos... já éramos adultas.
Mas ser adulto exigia também aprender a ter responsabilidade e caráter, e de repente tudo mudou fazendo aquele sonho acabar junto com tudo que estava lá. Os planos, as esperanças, os sonhos foram novamente encaixotados para sempre... ou talvez até eu encontrá-los quatro anos mais tarde.
Eles reapareceram novamente na forma de amizade - dessa vez sou a mais velha do grupo - sendo vistos de outro jeito. Participo e assisto cada episódio dos 20 e poucos anos de meus novos amigos e parece que aquele filme já passou, mas agora dá tempo de mudar o final.
Eles ainda não sabem onde isso vai acabar, e talvez nem eu que já passei pelo o que eles ainda vão passar sei, mas acreditam em seus sonhos de um mundo melhor com muita música, amor e risadas.
E subitamente volto no tempo e me sinto com 20 e poucos anos, ou menos, mas ainda cheia de esperanças e alegrias.
( AOS AMIGOS : SAULO, TALI, LARI, PAULINHA, LULI E MARCELO)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

UM BRINDE

A nós meninas que nos tornamos MULHERES

Que tivemos paixonites de 15 anos

e vimos filmes melosos chorando por um pirralho

Que esperamos pelo príncipe encantado no cavalo branco

Para descobrir mais tarde que ele não existe


Por sermos admiradas e invejadas por muitos

Isso por subirmos no salto e aprendermos com a vida

Que toda decepção nos faz crescer e fortalecer

Que algumas amizades vão embora, outras permanecem distantes

mas as MELHORES se tornam eternas


Por sermos filhas, mães, AMIGAS, irmãs, namoradas

Fiéis a promessa de lealdade que fizemos

Ao AMOR que sentimos e declaramos todos os dias

A sinceridade que alimenta a nossa confiança


A nós e a toda FELICIDADE que nos aguarda...

TIM TIM !!!


( Dedicado às melhores amigas que alguém pode ter: Betina e Gabriela)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Memórias do Palhaço Amoroso



A peça infantil Memórias do Palhaço Amoroso escrita por Fátima Ortiz teve seu sucesso reconhecido antes mesmo de estrear, texto premiado no Edital Oracy Gemba, projeto premiado pela Funarte e ganhadora do Prêmio Myrian Muniz. 
 O espetáculo conta as memórias de Amoroso ( Pedro Bonacin) que vai viajar ao encontro de seu melhor amigo de infância, o palhaço Rafael (Daniel Kleiber), para cumprirem o trato de relerem juntos o livro que produziram, e para regar a plantinha da amizade. Para não esquecer de nada e cuidar de sua casa, Amoroso conta com sua namorada Sônia ( Maíra Lour) que tem como especialidade fazer sonhos.
Ressaltando valores como amizade, lealdade e amor a peça, que encanta também aos adultos,   teve mais de 12 mil espectadores em 26 apresentações no Teatro Guairinha, e em parceria com a Secretaria Municipal de Educação levou a magia do teatro para crianças estudantes de escolas públicas.
Os elogios já seriam merecidos apenas pela mensagem que a história passa, mas devem se estender aos atores, a produção do cenário e figurino, ao modo como prende a atenção dos pequenos integrantes do público que interagem com os personagens durante e após o espetáculo.
Para os que não puderam conferir o sucesso de Memórias do Palhaço Amoroso ainda há tempo, do dia 14 a 18 de outubro ( quarta,quinta e sexta: 9:30 e 15:00/ sábado e domingo 11:00 e 16:00) a peça estará em cartaz no Museu Oscar Niemeyer e a entrada é franca.

  

sábado, 26 de setembro de 2009

Adeus Walmor Marcellino



Morreu nesta sexta-feira (25), aos 79 anos, o poeta, escritor e jornalista Walmor Marcellino. Militante contra a ditadura militar nas décadas de 70 e 80, Marcelino estava internado na Santa Casa de Misericórdia de Curitiba com problemas renais e cardíacos. “Walmor Marcelino foi um militante persistente, que nunca se desviou de seu caminho. Alguns o chamavam de fundamentalista, mas eu sempre entendi suas atitudes como integridade”, afirmou o governador Roberto Requião.  
Ele foi casado duas vezes e teve quatro filhos, um deles já falecido. Nascido em Araranguá (SC), em 1930, morou em Florianópolis, Porto Alegre e fixou residência em Curitiba. Escritor com forte atuação política, publicou mais de 30 livros, entre poesia, ficção e textos de opinião. Na década de 70, participou do Centro Popular de Cultura em Curitiba, e de grupos de teatro da UFPR, sempre em oposição à ditadura militar. Preso político, nunca se furtou da crítica ao governo militar e das suas posições políticas. “Era um homem de extrema coragem e todos que lutaram pela democracia sabem o papel que teve este grande intelectual”, afirmou o advogado Geraldo Serathiuk, que o conheceu na década de 70, na Casa do Estudante. Serathiuk conta também que Walmor foi um dos responsáveis pela reorganização do movimento estudantil e sindical durante a ditadura militar e um grande exemplo para os jovens da época.  Marcellino trabalhou em diversos órgãos de comunicação, entre eles a Gazeta do Povo e o jornal Última Hora, e também na Assembleia Legislativa do Paraná e no Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).

"Ele era um dramaturgo, repórter policial de alto nível e um líder da resistência durante a ditadura militar”, afirmou o jornalista Cícero Cattani, que contou que conviveu com Walmor já no início da década de 60, na redação do jornal Última Hora. “Apenas quem conviveu com ele sabe mensurar esta perda”, disse.  Segundo Cattani, uma das grandes qualidades de Walmor era a de transformar a redação em uma sala de aula. “Era um intelectual e um verdadeiro professor de jornalismo. O Paraná perde um dos seus maiores valores.”

O jornalista Luiz Geraldo Mazza, destacou a militância, tanto política quanto cultural de Walmor. “Ele foi uma pessoa de firmeza e caráter, guerreiro que participou dos movimentos importantes do nosso Estado, e um dos grandes desencadeadores do desenvolvimento cultural”, contou.

De acordo com o poeta e escritor Ewaldo Schleder, que publicou um livro a quatro mãos com Marcellino, destacou a responsabilidade do colega, mesmo com quem criticava. “Sempre polêmico, mesmo assim nunca fez uma crítica não embasada, por isso, era respeitado mesmo por aqueles que tinham posições contrárias”, afirmou.

O jornalista Nego Pessoa comentou que as diferenças políticas entre os dois eram enormes. “Mas a nossa amizade era justamente pela ligação com a arte. Walmor era um grande conhecedor de poesia e amante do jazz”, contou. Nego Pessoa destacou os livros de poesia do amigo, segundo ele, a melhor produção de Marcellino.

O prefeito Richa lamentou a morte do escritor, poeta, dramaturgo e jornalista. "Walmor Marcelino defendeu de forma intransigente os princípios em que acreditava" . Além de ressaltar a importância de Marcellino "Como intelectual, artista ou jornalista, Walmor foi um combatente da democracia. Especialmente nos anos de chumbo da ditadura militar, quando foi perseguido, preso e processado, exatamente porque defendia a liberdade", o prefeito lembrou que durante o governo de seu pai José Richa, Walmor atuou como jornalista se destacando entre os grandes personagens que participaram da redemocratização do Paraná.
Alguns textos de Walmor Marcellino:
http://www.walmormarcellino.blogspot.com/search?updated-min=2009-01-01T00%3A00%3A00-03%3A00&updated-max=2010-01-01T00%3A00%3A00-03%3A00&max-results=38

http://www.palavreirosdahora.blogspot.com/2008/02/crime-e-castigo-por-walmor-marcellino.html

http://www.palavrastodaspalavras.wordpress.com/2009/09/08/o-imbecil-retorico-por-walmor-marcellino-
curitiba/ 

Descanse em paz!




quinta-feira, 24 de setembro de 2009

DICA DE CULTURA



Estréia : 27/ 09 - domingo
Local: teatro guairinha

terça-feira, 15 de setembro de 2009

A todos que não foram e não ligaram

Bom, você não foi. E não ligou. A mim, só restou lamentar a sua falta de educação. Imaginando motivos possíveis. Será que você não foi porque realmente não pôde ou simplesmente não quis? Será que não ligou para não me magoar ou justamente o inverso disso? Estou confusa, claro. Achava que você iria. Tanto que eu aguardei sua chegada por mais minutos do que deveria, inventando desculpas esfarrapadas para mim mesma. O trânsito, o horário, a meteorologia. Qualquer pneu furado serviria. E até o último instante, juro, achei que você chegaria a qualquer momento.
Pedindo perdão pelo terrível atraso. Perdão que você teria, junto com uma cara de quem está acostumada, e assim encerraríamos o assunto. Mas você não foi. Esperei outro tanto pelo seu telefonema, com todas as esclarecedoras explicações. Para cada razão que houvesse, pensei numa excelente resposta. Para cada silêncio, num suspiro. Para cada sensatez de sua parte, numa loucura específica da minha.
Se você tivesse ligado do celular, eu seria fria. Se tivesse ligado do trabalho, seria levemente avoada. Se a ligação caísse, eu manteria a calma.
Foram muitos dias nessa tortura, então entenda que percorri todas as rotas de fuga. Cheguei a procurar notícias suas pelos jornais, pois só um obituário justificaria tamanha demora em uma ligação.
Enfim, por muito mais tempo do que desejaria, mantive na ponta da língua tudo o que eu devia te dizer, e tudo o que você merecia ouvir, e tudo. Mas você não ligou. Mando esta carta, portanto, sem esperar resposta. Nem sequer espero mais por nada, em coisa alguma, nesta vida, para ser sincera. No que se refere a você, especialmente, porque o vazio do seu sumiço já me preenche; tenho nele um conforto que motivos não me trarão. Não me responda, então, mesmo que deseje. Não quero um retorno; quis, um dia, uma ida. Que não aconteceu, assim deixemos para lá.
Estaria, entretanto, mentindo se não dissesse que, aqui dentro, ainda me corrói uma pequena curiosidade. Pois não é todo dia que uma pessoa não vai e não liga, é? As pessoas guardam esses grandes vacilos para momentos especiais, não guardam? Então, eis a minha única curiosidade: você às vezes pensa nisso, como eu penso? Com um suave aperto no coração? Ou será que você foi apenas um idiota que esqueceu de ir?

(Fernanda Young, revista Claúdia)

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Ela não escuta mais os discos da Janis e do Chico para se libertar de tudo que está errado
Não sonha mais acordada sozinha em um quarto escuro
As visitas de amigos no final de semana nunca mais vão acontecer
Viagens, conversas, cervejas, cigarros.
Ninguém sabe como, onde, porque e nem o que a levou
Em algum momento se perdeu de todos
Reflexões são feitas em busca de repostas
Nenhuma faz sentido, explica ou justifica
Ela morreu.

domingo, 26 de julho de 2009

Um bilhetinho

- Quando você entrar no teu carro, vc me liga imediatamente...acho que você vai gostar.
E mesmo com um aviso de que algo a esperava, ela se impressionou com o que viu no vidro do carro. Um bilhete com uma declaração de amor. E como naqueles filmes de romance melosos, que fazem qualquer mulher suspirar e chorar, ela sorriu encantada com a surpresa do namorado.
O cenário de uma noite fria, escura e chuvosa foi perfeito para aquele momento. E ela só conseguiu pensar na sorte que teve de ganhar uma prova de amor como essa. Se fosse a cena de um romance, seria daquelas que causa exclamações femininas como: " Aiiii que lindoooo!!!" ou, " Ah, porque eu não acho um desse?!" , e também " Nossa, eu casava com um cara desses! Imagine?!"
A chuva continuou caindo, o bilhete continuava molhado, o limpador do carro estava ligado, mas não estragou de forma alguma o pequeno pedaço de papel que ela guardou quando chegou em casa.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

sábado, 20 de junho de 2009

Ser Jornalista é fazer jornalismo

O presidente do STF ( supremo tribunal federal ) disse que a profissão de jornalista não tem consquência na vida da sociedade, por isso não necessita de conhecimento técnico e exigência do diploma.
Alguém se lembra dos jornais com receitas de bolo da ditadura? Por que os militares mandaram espiões, censores nas redações e até chegaram a fechar muitas delas?
O jornalista Vladimir Herzog torturado e morto pelo Doi-Codi se tornou símbolo da luta pelo fim da censura durante o regime militar.
A abertura política chegou, a volta de personagens importantes como Fernando Gabeira e Betinho, as diretas já tudo foi filmado, narrado, fotografado e escrito por quem vive o fato da notícia.
Fernando Collor perdeu a presidência após os jornais informarem aos eleitores a prática de corrupção em seu governo. As mesmas pessoas que o colocaram no poder foram as ruas e pediram impeachment... os jornalistas fizeram parte de todo o processo.
Bomba! Bomba! Bomba! Quem não lembra da famosa foto da bomba de Napalm? E a bomba atômica? Correspondentes internacionais dos maiores veículos de comunicação arriscaram a sua vida e mudaram o rumo das guerras. Em 1968 o jornalista brasileiro José Hamilton Ribeiro foi mandado pela revista Realidade para cobrir a guerra do Vietnã, lá ele pisou em uma mina terrestre e perdeu uma perna em nome do compromisso com a verdade.
Setembro de 2001. Os jornais de todo o mundo divulgam imagens nunca imaginadas nem pelos diretores de Hollyood. A queda das torres gêmeas. Pela imprensa famílias brasileiras recebiam notícias a cada segundo.
Nosso trabalho não consiste em simplesmente mostrar a realidade, mas sim mostrá-la de forma profissional, estudada e responsável.
Para fazer jornalismo não basta ler, escrever, falar ou fotografar bem. É necessário ser humano e se preocupar com quem nos cerca e com o que acontece ao nosso redor. Jornalistas estudam e analisam além de informações, a sociedade e sua estrutura, como cada público recebe e absorve os fatos, a melhor maneira de ser transparente e se fazer entender.
Suportamos a dor de ver um colega, como Tim Lopes, perder a vida em busca do real contexto social de uma favela brasileira. Noticiamos e vivenciamos tragédias, investigamos e denunciamos preservando a identidade de nossas fontes para que elas não corram riscos. Não ferimos a liberdade de expressão, pois dependemos dela para trabalhar!
Não é qualquer pessoa que pode ser jornalista é preciso vocação, paixão pela profissão, responsabilidade social, compromisso com a verdade, profissionalismo, conhecimentos técnicos e saber como foi e é o mundo para ser formador de opinião e ser o quarto poder.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Irmãs ou quase isso...

Apenas me lembro que foi em 2001 quando ainda éramos adolescentes no auge dos 15 anos, descobrindo o mundo tal qual ele é, cheio de riscos, pedras no caminho, com direito a copos e copos de cerveja, alguns cigarros mal tragados e baladas até madrugada que tudo começou.
De aparência nós não tinhamos nada em comum, mas como algumas pessoas entram sem bater na porta, ela entrou na minha vida e algumas cenas ainda passam como um replay na minha cabeça, como o dia em que dela eu peguei o meu primeiro marlboro lights.
Ela... ela que também é filha única, que como irmãos e irmãs tinha apenas os primos e primas. Que é do tipo durona, protetora, companheira, um gênio forte e engraçado, foi conquistando minha amizade e meus sentimentos.
Foi como se nossas almas tivessem encontrado algo que faltava nas nossas vidas, uma irmã para poder correr quando tudo der errado, ou, para contar em primeira mão a realização de um sonho.
Dela, eu sempre pude esperar reações extremas e intensas, isso valia para a maneira de aconselhar até a de defender os seus amigos. Das frases que já ouvi ela esbravejar muitas foram para me ajudar, alertar e mostrar seu amor por mim.
Muitos olham para nós e concordam em apostar suas fichas na hipótese de uma amizade longa e duradoura. Eu ousaria dizer que é pra toda a vida, pois irmãs são pra sempre mesmo que você discorde da opinião dela, que fique braba com algumas atitudes, ou que tenha vontade de esganar ela por ter feito exatamente o contrário do que você aconselhou.
Penso que ela me dá a cada dia uma dose de felicidade por tê - la na minha vida, e agradeço por poder ouvir dela palavras cheias de sinceridade e amor. Talvez, se nós fossemos realmente irmãs, as coisas não fluíssem de forma tão calma e certa. Querida amiga-irmã, eu te amo.

sábado, 30 de maio de 2009

E-mail enviado por uma pessoa muito querida e sábia...valeu Baby!! merece um post com certeza!

O MENOR CONTO DE FADAS DO MUNDO
(visto pela mais verdadeira ÓTICA - a nossa)

Era uma vez uma LINDA moça que perguntou a um lindo rapaz:
- Você quer casar comigo?
Ele respondeu:
- NÃO!!!!
E a moça viveu feliz para sempre.

Foi viajar, vivia fazendo compras, conheceu muuuuitos outros rapazes, visitou muitos lugares, foi morar na praia, trocou de carro, redecorou sua casa, sempre estava sorrindo e de bom humor... pois não tinha sogra, não tinha que lavar, passar, nunca lhe faltava nada, bebia champanhe com as amigas sempre que estava com vontade e ninguém mandava nela.
O rapaz ficou barrigudo, careca, o pinto caiu, a bunda murchou, ficou sozinho e pobre, pois nenhum homem constrói nada sem uma MULHER.

FIM

sexta-feira, 15 de maio de 2009

" Eu sou amor da cabeça aos pés!!"

Pensei em escrever sobre todo o amor que tenho sentido em todas as suas formas, mas preferi colocar uma música que traduz perfeitamente:

Não se assuste pessoa
se eu lhe disser que a vida é boa
não se assuste pessoa
se eu lhe disser que a vida é boa

Enquanto eles se batem, dê um rolê e você vai ouvir
Apenas quem já dizia,
Eu não tenho nada
Antes de você ser eu sou
Eu sou, eu sou o amor da cabeça aos pés
eu sou, eu sou, eu sou o amor da cabeça aos pés

E só vou beijar no rosto de quem me dá valor
Pra quem vale mais o gosto do que cem mil réis
Eu sou, eu sou, eu sou o amor da cabeça aos pés
eu sou, eu sou, eu sou o amor da cabeça aos pés
( Dê um rolê - Novos Baianos )

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Escolhas

Demorei para escrever, principalmente porque já não tenho mais tempo de organizar idéias, a não ser as que dizem respeito a faculdade...não que eu tenha optado pela fuga dos fatos, mas a rotina do jornalismo de certa forma resolveu ocupar 90% dos meus dias, os outros 10% se dividem...5% pra dormir e outros 5% para ver alguns poucos.
Quando o pensamento escapava era sempre o mesmo: a capacidade do ser humano de culpar outros pelos seus fracassos.
Em certo momento comecei a perceber que eu fazia exatamente como eles. Parei pra colocar na balança todos os fatos, conversas e pontos de vista, e cheguei a real constatação de que algumas vezes a gente erra, outras a gente acerta e ainda tem aquelas vezes que você prefere acreditar que nem errou nem acertou, porque você não fez nada para aquilo acontecer.
A última opção talvez seja pior, é nessas horas que procuramos um responsável pelo fracasso de algo. Imaginei que algo de grande importância para mim havia morrido, quando na verdade isso jamais chegou perto de acontecer, ou sequer foi cogitado por qualquer uma de nós três.
Foi quando eu deixei ecoar na minha cabeça as palavras lidas em um e- mail que não tem explicação alguma. Nenhuma mesmo. Ingratidão talvez coubesse, ou até mesmo revelação daquilo que se é realmente, o fato é que elas não paravam de se repetir... como alguém podia dizer tudo aquilo sem saber que parte do que ali estava era mentira? Mesmo sabendo da verdade resolveu viver uma mentira.
Com relação ao que se foi não há mesmo o que dizer, sobre o que foi dito também não. O fato é que tornar alguém responsável pelos próprios erros, é não ser capaz de lidar com eles e não crescer. Quem faz o contrário pode ter um olhar sem medo e culpa, não precisa se esconder de nada e nem de si mesmo.

sábado, 25 de abril de 2009

Quase Curitibanos

Por: Lígia Barone.

Dizem nos meios culturais que curitibano é muito crítico e culto. No meio econômico, bem-sucedidos. Na sociedade passam por antipáticos, mas vão de elegantes e discretos sutilmente, como manda a etiqueta. Não é suficiente?
Os curitibanos ainda moram em uma cidade bem estruturada, limpa, com muito verde, segura e sem trânsito. A publicidade conseguiu captar bem o sentimento curitibano e expandi-lo ao ponto de se tornar uma cidade-desejo. Isto não é consequência isoladamente política. Foram os moradores que ajudaram a vender a imagem de capital ecológica, de um ótimo lugar para viver. Ganhou prestígio e hoje colhe os frutos a contragosto de quem tem registrado no local de nascimento: Curitiba, Paraná.

Segundo pesquisas realizadas pelo Paraná Pesquisas sobre a população da cidade, 48% dos moradores são nascidos em Curitiba, 35% vieram do interior do estado do Paraná e 17% de outros estados. As porcentagens deixam claro que as pessoas acreditaram na imagem vendida, de que a capital cresceu economicamente, que tem importância em alguns setores do mercado brasileiro e que é um ponto turístico como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte.

A pergunta é se temos de fato tudo isso para oferecer. O que aconteceu e onde foram parar todos esses atributos? Hoje não são só curitibanos na capital e muitos não conseguem dar os próprios passos. De nada adianta ensinar a levantar, andar, se não se ensina a permanecer de pé. Os migrantes chegaram, aprenderam como tudo funciona, viraram os novos curitibanos e se dividem nos que alcançaram seu objetivo, e já pedem um café com “leite quente”, adoçado com sotaque, e os que ainda correm para ter o sonho curitibano.

Para reconhecer um típico curitibano é só entrar no elevador, cumprimentar discretamente quem está pegando carona e esperar três reações básicas: o silêncio que permite ouvir os cabos que impulsionam o elevador, uma tentativa de comunicação iniciada pela mudança de clima, ou uma cara séria fazendo ar de educada e perguntando em que andar você vai.
Já reparou que algumas vezes nos pontos de ônibus trocamos informações sobre o destino do ônibus, se ele jà passou, qual o horário e nem sabemos de onde veio a pessoa que responde a todas essas perguntas? Não permitimos uma conversa, alguma demonstração de sentimento, nada. Mantemos o famoso ar blasé que nos torna frios.

O problema da atual Curitiba não é a estrutura e nem o conjunto de “defeitos” que qualquer capital possui. A minoria que alcançou o seu objetivo fica e ganha jeitos e trejeitos dos antigos curitibanos, resultando numa extinção de muitas vozes. Talvez a gota d’água resida na forma como recebemos os migrantes que ajudam a cidade. Só aceitamos aqueles que podem retribuir muito bem o que teoricamente damos a eles. Não queremos que a cidade perca seu título de cidade modelo, mas permitimos que a cidade transborde insensatez e seque de sentimentos.

* TEXTO PUBLICADO NO JORNAL LABORATORIO COMUNICARE PUC-PR EM ABRIL 2009.*

quinta-feira, 16 de abril de 2009

                                             Foto: Bruna Bozza.




Dei um beijo de despedida nela e um em seu filho, fui embora feliz, subi a rua pensando em quantas vezes eu já tinha feito aquele mesmo percurso, em quantas conversas naquela rua eu tive com ela que sempre esteve ali, cercada  por uma muralha que guardava o desejo de amar alguém que não a abandone.

Pensei em outra pessoa, que paralelamente a mim e a ela, está seguindo atrás de um sonho do qual nunca desistiu...amar e ser amada por completo por alguém que aceite seus defeitos, suas buscas e anseios. E a última notícia que tive, foi que ela estava perto de conseguir.

De repente senti um vazio, daqueles que não se explica. Simplesmente vazio.

Ao contrário da pessoa em quem eu pensei, não esboço nenhuma forma de emoção sobre o que acontece, o que penso e sinto. Me sinto anestesiada de qualquer sentimento. Aquilo que nos difere dos animais tem sido meu escudo diário, a racionalidade. E ela tem me feito acreditar que cumpri minha missão com relação às duas pessoas que falei aqui.

Nos poucos momentos em que a anestesia perde seu efeito, me sinto feliz por ter ajudado da maneira que pude a trazer uma nova vida, e isso em todos os sentidos, para ela que hoje ama sem medo de ser abandonada e que percebe que amar nos torna humanos. E o amor que ela possui e dá à alguém tão pequeno e cativante é incondicional.

Ainda quando sinto algo, penso que por algum motivo aquela que sonhou em amar e ser amada, aparentemente consegue alcança-lo mesmo que ele não seja eterno, mas no presente é o que se necessita e a satisfação a torna feliz, ou ao menos algo perto disso. Me sinto contente por saber que tudo está ficando como o desejo que se teve,  volto a ficar anestesiada entendendo uma fala do filme Cazuza- o tempo não pára : " sorte é abandonar essa vaga idéia de paraíso, bonita e breve..."

E sigo abandonando a minha vaga idéia de paraíso, " porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei..."