sexta-feira, 5 de novembro de 2010


E hoje ela sabe que eles morreram juntos

De mão dadas, deitados lado a lado

Sentindo o cheiro e o toque da pele um do outro

Juntos fisicamente, com o pensamento distante dali

Ninguém jamais foi capaz feri-los como ela.


Cada um com seu frasco de veneno

Como uma cena ensaiada, abriram o frasco

Encostaram no confortável travesseiro do hotel

Tomaram o líquido amargo sem deixar uma gota

Como quem não quer deixar rastros

E escorregaram de olhos fechados

Cada um vendo tudo o que fez

Remoendo aquilo que queriam ter sido

e não conseguiram.


Sorrindo, a viram pela última vez e não acordaram mais.

No chão, o frascos largados

No criado - mudo ao lado da cama

um envelope com o nome dela.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Aly Muritiba: Cinema é coisa de angustiado

Fazer cinema independente e sem dinheiro é um exercício angustiante. Apesar de ter um estômago de avestruz prevejo uma morte lenta e dolorosa para mim em decorrência de complicações gástricas. Isso porque o amor que devoto ao cinema é daqueles românticos, daqueles que só podem acabar em tragédia. Exagero? Vejamos então.

Angustia número 1: Antes de se fazer um filme, o pretenso cineasta passa pela angústia de não estar fazendo nada a não ser olhar uma folha em branco. São dias e dias lapidando um roteiro, que depois de pronto e julgado brilhante pelo seu autor, será submetido ao crivo dos possíveis colaboradores (amigos). Neste momento começa a

Angústia número 2: As pessoas recebem o texto, dizem que vão ler e a isso se sucedem semanas de angustiante silêncio. Pensa-se, “eles odiaram, eu sou um escritorzinho de m.” etc. Até que se encontra os tais colaboradores bebendo num boteco e descobre-se que o roteiro não foi lido porque -xi, meu PC queimou, manda outra vez. Ou -recebi, mas não abriu, manda num outro formato…e por ai vai. Passada esta etapa, que é a de convencer as pessoas a trabalharem de graça no teu projeto, começa a fase da

Angústia número 3: Fazer com que os colaboradores (amigos), que trabalham de graça no teu projeto, convençam outras pessoas (desconhecidos) a também trabalhar de graça. A esta etapa chama-se comumente de Pré-produção. Eu prefiro chamar de fase da angústia número 3. É a etapa em que pessoas bem vestidas experimentam a sensação da mendicância. Pede-se tudo, oferece-se quase nada, e a probabilidade de receber nãos é tão grande, que é recomendável pedir apoio de alguma farmácia para o fornecimento de paracetamol, gastrox e afins. São semanas e semanas de reuniões, planejamentos, cafés, sorrisos, testes, persuasão, caça a atores experientes o suficiente para o papel dispostos a trabalhar “-por amor a arte Sabe como é? “. E eis que chega o grande dia, quer dizer, semana.

Angústia número 4: O primeiro dia de gravação é sempre o pior (pelo menos pra mim). Parece que tudo vai dar errado. Planeja-se uma externa, o céu ameaça chuva. Planeja-se uma interna, o refletor queima. Até a maquilagem que aquela tua colaboradora (amiga, amante, mulher, irmã… avó?) ficou de emprestar, é esquecida. Ai é que o verdadeiro diretor é posto à prova. Se der “piti” e adiar as filmagens por causa da maquilagem (entendam metaforicamente), sem futuro…, a equipe o abandona. Se não der “piti”, sem futuro muito longo, morrerá de gastrite. Os bons diretores têm gastrite. Kielowsky, Kurosawua, Glauber, Buñel, Ozu e tantos outros tiveram. Eu e alguns colegas nos entupimos de café na esperança de adquirir uma e entrar pro panteão. Mas continuando… adapta-se, muda-se os planos, as ordens do dia, as decupagens (pra que fazer pré?) e as gravações terminam, e começando a

Angústia número 5: Esta fase é de matar. Neste momento descobrem-se os planos não filmados, os erros de continuidade, a falta de ritmo, etc. E o roteiro que foi escrito com tanto esmero é reescrito por um cara estranho chamado editor (o cara que faz o que pode e o que não pode para o filme não parecer um exercício de doidos). E o som? Sabe quantas horas se passa num estúdio improvisado mixando o som de um filme (e olha que eu nunca fiz um longa)? Ai o diretor tem que decidir entre 198 opções qual é o rangido de porta perfeito para a cena em que a mocinha sai do banheiro. Ai o diretor decide se o estampido do revólver deve ser mais grave, agudo ou médio se é do ponto de audição da vitima, do algoz ou da platéia…. aff!!!! E o tratamento de imagem? Já abriram um programinha chamado After efects? Não abram sem alguém experiente por perto. Ai você descobre que aquela cena que teu diretor de fotografia disse -resolve na pós., não tem solução. Enfim, uma angústia só e que pode levar meses ou, em alguns casos, anos. E eis que o filme fica pronto.

Angústia número 6: A estréia. Fase em que o cineasta tira a roupa para um monte de gente que não faz a mínima idéia (e nem deveria mesmo fazer) das etapas anteriores. Fase em que o cineasta será julgado sumariamente por pessoas que estavam tocando suas vidas nos últimos seis meses, enquanto o cineasta sofria com suas angústias. O olhar do público, o aplauso final, o tapinha no ombro (será consolo?). O alívio. Enfim o filme está concluído. O alívio. Alívio?

Angústia número 7: Assim que termina a exibição do filme o pretenso cineasta passa pela angústia de não estar fazendo nada novamente. Ele olha então uma folha em branco e

Angustia número 1:
Alguma semelhança com a vida a dois?
Entende agora o motivo pelo qual eu amo me angustiar de cinema…. e de amor?

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Aproveitando para apresentar meus filhos...


NOUVELLE VAGUE FRANCESA ( DIREÇÃO : TALI MIRANDA. PRODUÇÃO: LÍGIA BARONE)

http://www.youtube.com/watch?v=M3yq7BeVzAs&feature=fvw


REMAKE VOLVER ( DIREÇÃO: TALI MIRANDA . PRODUÇÃO : LÍGIA BARONE)

http://www.youtube.com/watch?v=eE3du_3UjpQ&feature=related


quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Por que não?

Estava parada em um dos sinaleiros de Curitiba, voltando para a casa quando tudo aconteceu.
Como é de costume na cidade fazia muito frio e chovia, mas aquela noite estava especialmente gelada e todos vestiam gorros, cachecóis, luvas e casacos para se esquentarem ou amenizarem a baixa temperatura. Menos aquela pessoa que estava na esquina se assegurando que podia atravessar.
Enquanto esperava o sinal verde prestei a atenção nela que vestia apenas um tênis, calça de moletom vermelha, casaquinho azul também de moletom e uma bolsa de pano a tira colo. Suas roupas meio surradas davam a impressão de velhas e nem de longe eram o suficiente para tanto frio.
Quando estava na metade da faixa de pedestres olhou para o lado e veio em minha direção sorrindo, como quem pedisse um minuto da minha atenção, e enquanto se aproximava estendeu a mão dizendo que não era ladrão.
Então confirmei minhas suspeitas de que apesar dos trajes e do cabelo não se tratava de uma mulher, mas sim de um gay com trejeitos, traços muito fortes, com uma aparência sofrida e pobre.
Eu estava com uma fresta da janela aberta para a fumaça do cigarro dispersar, olhei para o lado e ele estava ali.

- Desculpa, eu não sou ladrão - reforçou talvez para que eu não me sentisse ameaçada - eu só gostaria de pedir, se você tiver, um e dez para completar a passagem do ônibus.
Mesmo achando que não tinha moedas por perto para ajudá-lo procurei no console, enquanto isso ele me olhava atentamente e observou:

- Que lindo cabelo.

Sorri agradecendo o elogio e lhe disse que tinha apenas quinze centavos para colaborar.
O ar quente que estava ligado dentro do carro chegou até ele e sentindo muito frio ao ponto de tremer disse:

- Tá quentinho aí dentro... que delícia.
Senti um pouco de pena dele e lhe entreguei as moedas. Ao pegá-las ele agradeceu:

- Agora só falta noventa e cinco centavos ... cada um tem o que merece, e você com certeza deve merecer " tá aí" no carro. Disse como se ele mesmo já estivesse convencido de que não era merecedor.

Aquela situação não sei exatamente por qual motivo me comoveu. Por que ele também não merecia? A situação para ele realmente não era boa eu sei, mas quem disse que isso era uma justificativa ? Talvez as condições em que ele nasceu, viveu e ainda viva não o levem a crer que pode alcançar o que deseja. Então tentando consolar e tornar aquele momento menos triste e constrangedor respondi :

- Você também merece...é só acreditar que um dia acontece.

Com um olhar emocionado de quem jamais esperou ouvir aquilo de uma estranha agradeceu com a voz embargada, e eu reforcei a idéia.

O sinaleiro abriu e fomos embora cada um para o seu lado.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

A vingança das celulites.



Para toda mulher que tem um melhor amigo gay existem mil vantagens em tê-lo, é ele que fica horas com você vendo Sex And The City, que comenta sua roupa na balada, faz as melhores observações sobre outras mulheres, flerta no trânsito dentre muitas qualidades de uma amizade assim.

Antonio e Clarice se conheciam há três anos, logo já sabiam todos os “ bafos de bofes” da vida de cada um, e assim durante um bom dia pelo msn as duas horas da tarde:


Antonio says: to pra te mandar uma foto há dias...

Clarice says: me manda!


O link aparece na tela, carrega a imagem, quando o arquivo é salvo Clarice abre sem saber do que se tratava. A foto da atual namorada do seu ex está ali enorme no seu computador deixando a boquiaberta sem conseguir esboçar qualquer outra reação. Seus olhos não podiam acreditar no que estavam vendo.

Quando conseguiu reagir Clarice foi perguntar se realmente era quem ela pensava, e com o ar irônico que só melhores amigos gays podem usar ele disse: “ Siiim”


Fora o contexto patético da foto, o que a chocava talvez não causasse tanto espanto se fosse em outra mulher, mas a atual de Jorge já havia participado de um reality-show dentre outros programas de TV sem todas aquelas horrorosas e assustadoras celulites que nenhum truque de câmera esconderia.


Claro que toda mulher tem celulite, umas mais outras menos, mas aquela quantidade era inacreditável e deixou Clarice atordoada por horas. Como alguém que tem como se cuidar tem e convive com o pior inimigo de uma mulher? Será que ela tem tanta auto estima que não enxerga, ou ao contrário ela não tem nenhuma?


Passado o choque e muitas reflexões Clarice teve seu momento “ egocentrismo feminino com doce sabor de vingança” , sua história com Jorge foi um drama digno de um filme daqueles que devemos ver inspirados para o sofrimento, agora ela estava refeita e bem resolvida e em um ótimo relacionamento há 3 anos, e claro usando lindas roupas justas sem celulites.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

VINTE E POUCOS ANOS

O inverno curitibano apenas começava quando os primeiros móveis chegaram: um sofá, o hack da TV, dois puffs e a televisão. Mais tarde chegaria a cama e as coisas da cozinha, mas por enquanto tudo estava encaixotado e apenas o essencial estava disponível.
Era o suficiente para duas jovens garotas de vinte anos que estava saindo de casa para morarem juntas. O sonho de muitos adolescentes, morar junto com a/o melhor amiga (o), realizado e comemorado na nova sala ao som de músicas animadas, frases da MPB, vinho e cigarros.
Em 9 meses tudo aconteceu e ficou para sempre naquele apartamento, amores foram desfeitos, outros definitivamente resolvidos, alguns relembrados e claro, tiveram aqueles que começaram lá.
Tínhamos a plena sensação de sermos donas das nossas vidas, de termos a liberdade que sempre desejamos... já éramos adultas.
Mas ser adulto exigia também aprender a ter responsabilidade e caráter, e de repente tudo mudou fazendo aquele sonho acabar junto com tudo que estava lá. Os planos, as esperanças, os sonhos foram novamente encaixotados para sempre... ou talvez até eu encontrá-los quatro anos mais tarde.
Eles reapareceram novamente na forma de amizade - dessa vez sou a mais velha do grupo - sendo vistos de outro jeito. Participo e assisto cada episódio dos 20 e poucos anos de meus novos amigos e parece que aquele filme já passou, mas agora dá tempo de mudar o final.
Eles ainda não sabem onde isso vai acabar, e talvez nem eu que já passei pelo o que eles ainda vão passar sei, mas acreditam em seus sonhos de um mundo melhor com muita música, amor e risadas.
E subitamente volto no tempo e me sinto com 20 e poucos anos, ou menos, mas ainda cheia de esperanças e alegrias.
( AOS AMIGOS : SAULO, TALI, LARI, PAULINHA, LULI E MARCELO)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

UM BRINDE

A nós meninas que nos tornamos MULHERES

Que tivemos paixonites de 15 anos

e vimos filmes melosos chorando por um pirralho

Que esperamos pelo príncipe encantado no cavalo branco

Para descobrir mais tarde que ele não existe


Por sermos admiradas e invejadas por muitos

Isso por subirmos no salto e aprendermos com a vida

Que toda decepção nos faz crescer e fortalecer

Que algumas amizades vão embora, outras permanecem distantes

mas as MELHORES se tornam eternas


Por sermos filhas, mães, AMIGAS, irmãs, namoradas

Fiéis a promessa de lealdade que fizemos

Ao AMOR que sentimos e declaramos todos os dias

A sinceridade que alimenta a nossa confiança


A nós e a toda FELICIDADE que nos aguarda...

TIM TIM !!!


( Dedicado às melhores amigas que alguém pode ter: Betina e Gabriela)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Memórias do Palhaço Amoroso



A peça infantil Memórias do Palhaço Amoroso escrita por Fátima Ortiz teve seu sucesso reconhecido antes mesmo de estrear, texto premiado no Edital Oracy Gemba, projeto premiado pela Funarte e ganhadora do Prêmio Myrian Muniz. 
 O espetáculo conta as memórias de Amoroso ( Pedro Bonacin) que vai viajar ao encontro de seu melhor amigo de infância, o palhaço Rafael (Daniel Kleiber), para cumprirem o trato de relerem juntos o livro que produziram, e para regar a plantinha da amizade. Para não esquecer de nada e cuidar de sua casa, Amoroso conta com sua namorada Sônia ( Maíra Lour) que tem como especialidade fazer sonhos.
Ressaltando valores como amizade, lealdade e amor a peça, que encanta também aos adultos,   teve mais de 12 mil espectadores em 26 apresentações no Teatro Guairinha, e em parceria com a Secretaria Municipal de Educação levou a magia do teatro para crianças estudantes de escolas públicas.
Os elogios já seriam merecidos apenas pela mensagem que a história passa, mas devem se estender aos atores, a produção do cenário e figurino, ao modo como prende a atenção dos pequenos integrantes do público que interagem com os personagens durante e após o espetáculo.
Para os que não puderam conferir o sucesso de Memórias do Palhaço Amoroso ainda há tempo, do dia 14 a 18 de outubro ( quarta,quinta e sexta: 9:30 e 15:00/ sábado e domingo 11:00 e 16:00) a peça estará em cartaz no Museu Oscar Niemeyer e a entrada é franca.