sexta-feira, 5 de novembro de 2010


E hoje ela sabe que eles morreram juntos

De mão dadas, deitados lado a lado

Sentindo o cheiro e o toque da pele um do outro

Juntos fisicamente, com o pensamento distante dali

Ninguém jamais foi capaz feri-los como ela.


Cada um com seu frasco de veneno

Como uma cena ensaiada, abriram o frasco

Encostaram no confortável travesseiro do hotel

Tomaram o líquido amargo sem deixar uma gota

Como quem não quer deixar rastros

E escorregaram de olhos fechados

Cada um vendo tudo o que fez

Remoendo aquilo que queriam ter sido

e não conseguiram.


Sorrindo, a viram pela última vez e não acordaram mais.

No chão, o frascos largados

No criado - mudo ao lado da cama

um envelope com o nome dela.

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