quinta-feira, 16 de abril de 2009

                                             Foto: Bruna Bozza.




Dei um beijo de despedida nela e um em seu filho, fui embora feliz, subi a rua pensando em quantas vezes eu já tinha feito aquele mesmo percurso, em quantas conversas naquela rua eu tive com ela que sempre esteve ali, cercada  por uma muralha que guardava o desejo de amar alguém que não a abandone.

Pensei em outra pessoa, que paralelamente a mim e a ela, está seguindo atrás de um sonho do qual nunca desistiu...amar e ser amada por completo por alguém que aceite seus defeitos, suas buscas e anseios. E a última notícia que tive, foi que ela estava perto de conseguir.

De repente senti um vazio, daqueles que não se explica. Simplesmente vazio.

Ao contrário da pessoa em quem eu pensei, não esboço nenhuma forma de emoção sobre o que acontece, o que penso e sinto. Me sinto anestesiada de qualquer sentimento. Aquilo que nos difere dos animais tem sido meu escudo diário, a racionalidade. E ela tem me feito acreditar que cumpri minha missão com relação às duas pessoas que falei aqui.

Nos poucos momentos em que a anestesia perde seu efeito, me sinto feliz por ter ajudado da maneira que pude a trazer uma nova vida, e isso em todos os sentidos, para ela que hoje ama sem medo de ser abandonada e que percebe que amar nos torna humanos. E o amor que ela possui e dá à alguém tão pequeno e cativante é incondicional.

Ainda quando sinto algo, penso que por algum motivo aquela que sonhou em amar e ser amada, aparentemente consegue alcança-lo mesmo que ele não seja eterno, mas no presente é o que se necessita e a satisfação a torna feliz, ou ao menos algo perto disso. Me sinto contente por saber que tudo está ficando como o desejo que se teve,  volto a ficar anestesiada entendendo uma fala do filme Cazuza- o tempo não pára : " sorte é abandonar essa vaga idéia de paraíso, bonita e breve..."

E sigo abandonando a minha vaga idéia de paraíso, " porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei..."

Um comentário:

  1. Já que terminou com Oswaldo Montenegro, uso outro verso do mesmo poema para que você saiba tudo o que você fez e porquê fez, para que você saiba quem você é: "porque metade de mim é amor e outra também..." Beijos, Bill

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