segunda-feira, 19 de julho de 2010

A vingança das celulites.



Para toda mulher que tem um melhor amigo gay existem mil vantagens em tê-lo, é ele que fica horas com você vendo Sex And The City, que comenta sua roupa na balada, faz as melhores observações sobre outras mulheres, flerta no trânsito dentre muitas qualidades de uma amizade assim.

Antonio e Clarice se conheciam há três anos, logo já sabiam todos os “ bafos de bofes” da vida de cada um, e assim durante um bom dia pelo msn as duas horas da tarde:


Antonio says: to pra te mandar uma foto há dias...

Clarice says: me manda!


O link aparece na tela, carrega a imagem, quando o arquivo é salvo Clarice abre sem saber do que se tratava. A foto da atual namorada do seu ex está ali enorme no seu computador deixando a boquiaberta sem conseguir esboçar qualquer outra reação. Seus olhos não podiam acreditar no que estavam vendo.

Quando conseguiu reagir Clarice foi perguntar se realmente era quem ela pensava, e com o ar irônico que só melhores amigos gays podem usar ele disse: “ Siiim”


Fora o contexto patético da foto, o que a chocava talvez não causasse tanto espanto se fosse em outra mulher, mas a atual de Jorge já havia participado de um reality-show dentre outros programas de TV sem todas aquelas horrorosas e assustadoras celulites que nenhum truque de câmera esconderia.


Claro que toda mulher tem celulite, umas mais outras menos, mas aquela quantidade era inacreditável e deixou Clarice atordoada por horas. Como alguém que tem como se cuidar tem e convive com o pior inimigo de uma mulher? Será que ela tem tanta auto estima que não enxerga, ou ao contrário ela não tem nenhuma?


Passado o choque e muitas reflexões Clarice teve seu momento “ egocentrismo feminino com doce sabor de vingança” , sua história com Jorge foi um drama digno de um filme daqueles que devemos ver inspirados para o sofrimento, agora ela estava refeita e bem resolvida e em um ótimo relacionamento há 3 anos, e claro usando lindas roupas justas sem celulites.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

VINTE E POUCOS ANOS

O inverno curitibano apenas começava quando os primeiros móveis chegaram: um sofá, o hack da TV, dois puffs e a televisão. Mais tarde chegaria a cama e as coisas da cozinha, mas por enquanto tudo estava encaixotado e apenas o essencial estava disponível.
Era o suficiente para duas jovens garotas de vinte anos que estava saindo de casa para morarem juntas. O sonho de muitos adolescentes, morar junto com a/o melhor amiga (o), realizado e comemorado na nova sala ao som de músicas animadas, frases da MPB, vinho e cigarros.
Em 9 meses tudo aconteceu e ficou para sempre naquele apartamento, amores foram desfeitos, outros definitivamente resolvidos, alguns relembrados e claro, tiveram aqueles que começaram lá.
Tínhamos a plena sensação de sermos donas das nossas vidas, de termos a liberdade que sempre desejamos... já éramos adultas.
Mas ser adulto exigia também aprender a ter responsabilidade e caráter, e de repente tudo mudou fazendo aquele sonho acabar junto com tudo que estava lá. Os planos, as esperanças, os sonhos foram novamente encaixotados para sempre... ou talvez até eu encontrá-los quatro anos mais tarde.
Eles reapareceram novamente na forma de amizade - dessa vez sou a mais velha do grupo - sendo vistos de outro jeito. Participo e assisto cada episódio dos 20 e poucos anos de meus novos amigos e parece que aquele filme já passou, mas agora dá tempo de mudar o final.
Eles ainda não sabem onde isso vai acabar, e talvez nem eu que já passei pelo o que eles ainda vão passar sei, mas acreditam em seus sonhos de um mundo melhor com muita música, amor e risadas.
E subitamente volto no tempo e me sinto com 20 e poucos anos, ou menos, mas ainda cheia de esperanças e alegrias.
( AOS AMIGOS : SAULO, TALI, LARI, PAULINHA, LULI E MARCELO)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

UM BRINDE

A nós meninas que nos tornamos MULHERES

Que tivemos paixonites de 15 anos

e vimos filmes melosos chorando por um pirralho

Que esperamos pelo príncipe encantado no cavalo branco

Para descobrir mais tarde que ele não existe


Por sermos admiradas e invejadas por muitos

Isso por subirmos no salto e aprendermos com a vida

Que toda decepção nos faz crescer e fortalecer

Que algumas amizades vão embora, outras permanecem distantes

mas as MELHORES se tornam eternas


Por sermos filhas, mães, AMIGAS, irmãs, namoradas

Fiéis a promessa de lealdade que fizemos

Ao AMOR que sentimos e declaramos todos os dias

A sinceridade que alimenta a nossa confiança


A nós e a toda FELICIDADE que nos aguarda...

TIM TIM !!!


( Dedicado às melhores amigas que alguém pode ter: Betina e Gabriela)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Memórias do Palhaço Amoroso



A peça infantil Memórias do Palhaço Amoroso escrita por Fátima Ortiz teve seu sucesso reconhecido antes mesmo de estrear, texto premiado no Edital Oracy Gemba, projeto premiado pela Funarte e ganhadora do Prêmio Myrian Muniz. 
 O espetáculo conta as memórias de Amoroso ( Pedro Bonacin) que vai viajar ao encontro de seu melhor amigo de infância, o palhaço Rafael (Daniel Kleiber), para cumprirem o trato de relerem juntos o livro que produziram, e para regar a plantinha da amizade. Para não esquecer de nada e cuidar de sua casa, Amoroso conta com sua namorada Sônia ( Maíra Lour) que tem como especialidade fazer sonhos.
Ressaltando valores como amizade, lealdade e amor a peça, que encanta também aos adultos,   teve mais de 12 mil espectadores em 26 apresentações no Teatro Guairinha, e em parceria com a Secretaria Municipal de Educação levou a magia do teatro para crianças estudantes de escolas públicas.
Os elogios já seriam merecidos apenas pela mensagem que a história passa, mas devem se estender aos atores, a produção do cenário e figurino, ao modo como prende a atenção dos pequenos integrantes do público que interagem com os personagens durante e após o espetáculo.
Para os que não puderam conferir o sucesso de Memórias do Palhaço Amoroso ainda há tempo, do dia 14 a 18 de outubro ( quarta,quinta e sexta: 9:30 e 15:00/ sábado e domingo 11:00 e 16:00) a peça estará em cartaz no Museu Oscar Niemeyer e a entrada é franca.

  

sábado, 26 de setembro de 2009

Adeus Walmor Marcellino



Morreu nesta sexta-feira (25), aos 79 anos, o poeta, escritor e jornalista Walmor Marcellino. Militante contra a ditadura militar nas décadas de 70 e 80, Marcelino estava internado na Santa Casa de Misericórdia de Curitiba com problemas renais e cardíacos. “Walmor Marcelino foi um militante persistente, que nunca se desviou de seu caminho. Alguns o chamavam de fundamentalista, mas eu sempre entendi suas atitudes como integridade”, afirmou o governador Roberto Requião.  
Ele foi casado duas vezes e teve quatro filhos, um deles já falecido. Nascido em Araranguá (SC), em 1930, morou em Florianópolis, Porto Alegre e fixou residência em Curitiba. Escritor com forte atuação política, publicou mais de 30 livros, entre poesia, ficção e textos de opinião. Na década de 70, participou do Centro Popular de Cultura em Curitiba, e de grupos de teatro da UFPR, sempre em oposição à ditadura militar. Preso político, nunca se furtou da crítica ao governo militar e das suas posições políticas. “Era um homem de extrema coragem e todos que lutaram pela democracia sabem o papel que teve este grande intelectual”, afirmou o advogado Geraldo Serathiuk, que o conheceu na década de 70, na Casa do Estudante. Serathiuk conta também que Walmor foi um dos responsáveis pela reorganização do movimento estudantil e sindical durante a ditadura militar e um grande exemplo para os jovens da época.  Marcellino trabalhou em diversos órgãos de comunicação, entre eles a Gazeta do Povo e o jornal Última Hora, e também na Assembleia Legislativa do Paraná e no Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).

"Ele era um dramaturgo, repórter policial de alto nível e um líder da resistência durante a ditadura militar”, afirmou o jornalista Cícero Cattani, que contou que conviveu com Walmor já no início da década de 60, na redação do jornal Última Hora. “Apenas quem conviveu com ele sabe mensurar esta perda”, disse.  Segundo Cattani, uma das grandes qualidades de Walmor era a de transformar a redação em uma sala de aula. “Era um intelectual e um verdadeiro professor de jornalismo. O Paraná perde um dos seus maiores valores.”

O jornalista Luiz Geraldo Mazza, destacou a militância, tanto política quanto cultural de Walmor. “Ele foi uma pessoa de firmeza e caráter, guerreiro que participou dos movimentos importantes do nosso Estado, e um dos grandes desencadeadores do desenvolvimento cultural”, contou.

De acordo com o poeta e escritor Ewaldo Schleder, que publicou um livro a quatro mãos com Marcellino, destacou a responsabilidade do colega, mesmo com quem criticava. “Sempre polêmico, mesmo assim nunca fez uma crítica não embasada, por isso, era respeitado mesmo por aqueles que tinham posições contrárias”, afirmou.

O jornalista Nego Pessoa comentou que as diferenças políticas entre os dois eram enormes. “Mas a nossa amizade era justamente pela ligação com a arte. Walmor era um grande conhecedor de poesia e amante do jazz”, contou. Nego Pessoa destacou os livros de poesia do amigo, segundo ele, a melhor produção de Marcellino.

O prefeito Richa lamentou a morte do escritor, poeta, dramaturgo e jornalista. "Walmor Marcelino defendeu de forma intransigente os princípios em que acreditava" . Além de ressaltar a importância de Marcellino "Como intelectual, artista ou jornalista, Walmor foi um combatente da democracia. Especialmente nos anos de chumbo da ditadura militar, quando foi perseguido, preso e processado, exatamente porque defendia a liberdade", o prefeito lembrou que durante o governo de seu pai José Richa, Walmor atuou como jornalista se destacando entre os grandes personagens que participaram da redemocratização do Paraná.
Alguns textos de Walmor Marcellino:
http://www.walmormarcellino.blogspot.com/search?updated-min=2009-01-01T00%3A00%3A00-03%3A00&updated-max=2010-01-01T00%3A00%3A00-03%3A00&max-results=38

http://www.palavreirosdahora.blogspot.com/2008/02/crime-e-castigo-por-walmor-marcellino.html

http://www.palavrastodaspalavras.wordpress.com/2009/09/08/o-imbecil-retorico-por-walmor-marcellino-
curitiba/ 

Descanse em paz!




quinta-feira, 24 de setembro de 2009

DICA DE CULTURA



Estréia : 27/ 09 - domingo
Local: teatro guairinha

terça-feira, 15 de setembro de 2009

A todos que não foram e não ligaram

Bom, você não foi. E não ligou. A mim, só restou lamentar a sua falta de educação. Imaginando motivos possíveis. Será que você não foi porque realmente não pôde ou simplesmente não quis? Será que não ligou para não me magoar ou justamente o inverso disso? Estou confusa, claro. Achava que você iria. Tanto que eu aguardei sua chegada por mais minutos do que deveria, inventando desculpas esfarrapadas para mim mesma. O trânsito, o horário, a meteorologia. Qualquer pneu furado serviria. E até o último instante, juro, achei que você chegaria a qualquer momento.
Pedindo perdão pelo terrível atraso. Perdão que você teria, junto com uma cara de quem está acostumada, e assim encerraríamos o assunto. Mas você não foi. Esperei outro tanto pelo seu telefonema, com todas as esclarecedoras explicações. Para cada razão que houvesse, pensei numa excelente resposta. Para cada silêncio, num suspiro. Para cada sensatez de sua parte, numa loucura específica da minha.
Se você tivesse ligado do celular, eu seria fria. Se tivesse ligado do trabalho, seria levemente avoada. Se a ligação caísse, eu manteria a calma.
Foram muitos dias nessa tortura, então entenda que percorri todas as rotas de fuga. Cheguei a procurar notícias suas pelos jornais, pois só um obituário justificaria tamanha demora em uma ligação.
Enfim, por muito mais tempo do que desejaria, mantive na ponta da língua tudo o que eu devia te dizer, e tudo o que você merecia ouvir, e tudo. Mas você não ligou. Mando esta carta, portanto, sem esperar resposta. Nem sequer espero mais por nada, em coisa alguma, nesta vida, para ser sincera. No que se refere a você, especialmente, porque o vazio do seu sumiço já me preenche; tenho nele um conforto que motivos não me trarão. Não me responda, então, mesmo que deseje. Não quero um retorno; quis, um dia, uma ida. Que não aconteceu, assim deixemos para lá.
Estaria, entretanto, mentindo se não dissesse que, aqui dentro, ainda me corrói uma pequena curiosidade. Pois não é todo dia que uma pessoa não vai e não liga, é? As pessoas guardam esses grandes vacilos para momentos especiais, não guardam? Então, eis a minha única curiosidade: você às vezes pensa nisso, como eu penso? Com um suave aperto no coração? Ou será que você foi apenas um idiota que esqueceu de ir?

(Fernanda Young, revista Claúdia)