terça-feira, 31 de março de 2009

Diga onde dói.


Dói na alma? Dói no coração? Dores de cabeça, na garganta, nas pernas? Diga onde dói !
A súbita companhia de teatro, mostrou durante o festival de teatro de Curitiba, nos dias 26, 27, 28 e 29 desse mês com um cenário dinâmico e ilustrado pelo grupo Mucha Tinta, um espaço quase junto à platéia e alguns objetos do cotidiano, as dores que atormentam o ser humano no âmbito físico, mental e sentimental.
Com 4 atores interpretando, descrevendo e narrando a vida e a personalidade de personagens, a peça conta com situações da vida real, fazendo o público se identificar e refletir sobre a sensibilidade que nos torna frágeis, ocasionalmente tristes e conformados. 
Acompanhadas de uma trilha sonora digna de elogios e presente somente quando necessária, as cenas, as expressões corporais e o texto ganham a atenção da platéia, arrancando dos ditos insensíveis como eu, uma respiração pesada e até o travar de um choro.
Ainda que as dores sejam de personagens fictícios ou anônimos, não é difícil identificar aquela dor tão bem guardada que  escondemos até da sombra, o comportamento de um amigo, o medo de cutucar a ferida e quebrar as " normas" morais impostas. 
Uma peça com conteúdo, qualidade, novos talentos e o principal uma mensagem. Todos os que dela participaram de alguma forma na construção dessa apresentação, merecem parabéns inicialmente pela idéia, seguida da originalidade e desempenho.
Diga onde dói voltará a ser apresentada ( data não confirmada) ainda esse ano...recomendo, continuarei recomendando e voltarei para assistir.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Como dizia Belchior


Sempre gostei e ouvi muita música, de tudo um pouco menos pagode e sertanejo. Minha biblioteca musical vai de Chico Buarque a Vanessa da Mata em MPB, de Madonna a trilhas sonoras internacionais, mas sempre tive o hábito de eleger uma para o momento pelo qual estou passando.
2009 começou conturbado, e se eu tivesse que tocar numa rádio as músicas que ouvi, com certeza teria sido uma miscelânia sem sentido algum para quem estivesse ouvindo. Nesse inicio do novo ano, me deparei com momentos que realmente me fizeram pensar no ser humano desde suas reações até suas fragilidades. E antes que alguém pense que só avaliei aos outros, digo que está errado pois tive que me avaliar também, aliás continuo me avaliando, pensando em atitudes passadas, no que deixei de fazer, em como o desespero pode estragar as coisas, tentando controlar a ânsia de fazer as pessoas serem melhores, admirando alguns, decepcionada com outros e conhecendo mais uns dos quais tento não esperar nada.
Para esse momento escolhi uma música do Belchior ( quem não souber quem ele é vai estudar no google MPB), que parece ter caído com uma luva em tudo que está acontecendo entre mim e pessoas muito especiais : Velha Roupa Colorida.
Sei que não preciso dizer  "que uma nova mudança em breve vai acontecer " , porque ela já aconteceu. Mas insisto em dizer que " precisamos todos rejuvenescer " .
É irônico ouvir essa música pensando nessas pessoas, elas já ouviram e acreditaram na letra com uma esperança adolescente no futuro que aguardava algo novo, bom, cheio de amor e sinceridade. Infelizmente, hoje acho que talvez nem lembrem da letra, se ouvem e se ainda pensam como antes..." no presente a mente, o corpo é diferente".
E se o " black bird" fosse me responder eu queria que ele dissesse que eu estou errada, que o passado é uma roupa que ainda me serve pelo menos com relação a essas pessoas, mas nem tudo que desejamos é realizado e o pássaro negro tudo já ficou pra trás e não há nada a ser feito.
Não penso em julgar os que são parte dessa reflexão, nem em revelar quem são...cada um sabe de si, do que deve pensar, dizer e fazer, da dor e por onde fazer escapar o sentimento. Apenas ainda espero de alguns que rejuvenessam a alma e deixem de querer o mal de qualquer um, seja seu inimigo ou quem vocês julguem merecer. Usando um clichê, a vida é muito curta e valiosa para deixarmos de vive-la e faze-la para sentirmos algo ruim que atingirá a todos...aos que sentem, aos que estão ao redor e para quem é destinado.
Quem vive para ver o fracasso alheio não sabe o que é ver a vida.